
A indústria de animação japonesa é conhecida por suas produções criativas e emocionantes, conquistando admiradores em todo o mundo e obtido um mercado de 18 milhões de dólares no ano de 2020 mesmo com os efeitos pandêmicos [1]. No entanto, apesar do sucesso atingido pela indústria, é perceptível que os animadores — os principais integrantes dessa máquina — enfrentam condições de trabalho precárias que podem levar a problemas de saúde, mentais e financeiros [2].
A produção de animações japonesas é feita, em grande parte, por meio do desenho à mão, exigindo dos animadores talento e experiência para atender aos prazos estipulados pela indústria [2]. No entanto, há uma escassez de profissionais qualificados para atender a essa demanda, o que leva os estúdios a contratar freelancers, os quais muitas vezes são mal remunerados pelo trabalho exaustivo realizado [2]. De acordo com a Associação de Animação Japonesa, um animador em seus 20 anos ganha em média ¥1.1 milhões por ano, valor abaixo do limite da pobreza japonesa classificado em ¥2.2 milhões [2]. Sendo assim, a adoção de medidas que visem a melhoria dessas condições seria essencial não apenas para a qualidade de vida desses profissionais, mas também para a continuidade do sucesso do setor.
Além disso, o sistema de produção japonês direciona a maioria dos lucros da indústria para os comitês de produção [3]. Isso ocorre porque os projetos desenvolvidos por um estúdio de animação são financiados por esses comitês com uma taxa fixa, sendo o pagamento de royalties (taxa paga pelo direito de usar, explorar ou comercializar um bem) reservado para eles [3]. Embora esse sistema proteja os estúdios de um possível fracasso financeiro, também os impede de compartilhar possíveis ganhos relacionados a grandes obras [3]. Portanto, em vez de negociar taxas mais altas ou participação nos lucros com os comitês de produção, os estúdios continuam a explorar os animadores com orçamentos reduzidos e cronogramas apertados, apesar do lucro crescente das animações [3].
Felizmente, após um esforço conjunto de órgãos reguladores, sindicatos e do público, algumas das maiores empresas do setor mudaram suas práticas de trabalho para criar um ambiente digno de se trabalhar [3]. Ademais, apesar de serem exceções, alguns estúdios como a Kyoto Animation pagam um salário correspondente ao trabalho dos animadores [3]. No entanto, ainda há um longo caminho a percorrer para que eles possam ter uma vida digna e saudável enquanto contribuem para a criação das incríveis animações japonesas aclamadas mundialmente.
Referências
[1] The Association of Japanese Animators. Anime industry report 2021. ”https://aja.gr.jp/english/japan-anime-data, Acesso em: 15 de mar. 2023”, 2021.
[2] Eric Margolis. The dark side of japan’s anime industry. ”https://www.vox.com/culture/2019/7/2/20677237/anime-industry-japan-artistspay-labor-abuse-neon-genesis-evangelion-netflix, Acesso em: 15 de mar. 2023”,
[3] Hikari Hida. Anime is booming. so why are animators living in poverty? ”https://www.nytimes.com/2021/02/24/business/japan-anime.html, Acesso em: 15 de mar. 2023”, 2021.
let author = Gustavo Montenegro Maia Chaves; // Idealizador(a) desse Artigo
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A indústria de animação japonesa é conhecida por suas produções criativas e emocionantes, conquistando admiradores em todo o mundo e obtido um mercado de 18 milhões de dólares no ano de 2020 mesmo com os efeitos pandêmicos [1]. No entanto, apesar do sucesso atingido pela indústria, é perceptível que os animadores — os principais integrantes dessa máquina — enfrentam condições de trabalho precárias que podem levar a problemas de saúde, mentais e financeiros [2].
A produção de animações japonesas é feita, em grande parte, por meio do desenho à mão, exigindo dos animadores talento e experiência para atender aos prazos estipulados pela indústria [2]. No entanto, há uma escassez de profissionais qualificados para atender a essa demanda, o que leva os estúdios a contratar freelancers, os quais muitas vezes são mal remunerados pelo trabalho exaustivo realizado [2]. De acordo com a Associação de Animação Japonesa, um animador em seus 20 anos ganha em média ¥1.1 milhões por ano, valor abaixo do limite da pobreza japonesa classificado em ¥2.2 milhões [2]. Sendo assim, a adoção de medidas que visem a melhoria dessas condições seria essencial não apenas para a qualidade de vida desses profissionais, mas também para a continuidade do sucesso do setor.
Além disso, o sistema de produção japonês direciona a maioria dos lucros da indústria para os comitês de produção [3]. Isso ocorre porque os projetos desenvolvidos por um estúdio de animação são financiados por esses comitês com uma taxa fixa, sendo o pagamento de royalties (taxa paga pelo direito de usar, explorar ou comercializar um bem) reservado para eles [3]. Embora esse sistema proteja os estúdios de um possível fracasso financeiro, também os impede de compartilhar possíveis ganhos relacionados a grandes obras [3]. Portanto, em vez de negociar taxas mais altas ou participação nos lucros com os comitês de produção, os estúdios continuam a explorar os animadores com orçamentos reduzidos e cronogramas apertados, apesar do lucro crescente das animações [3].
Felizmente, após um esforço conjunto de órgãos reguladores, sindicatos e do público, algumas das maiores empresas do setor mudaram suas práticas de trabalho para criar um ambiente digno de se trabalhar [3]. Ademais, apesar de serem exceções, alguns estúdios como a Kyoto Animation pagam um salário correspondente ao trabalho dos animadores [3]. No entanto, ainda há um longo caminho a percorrer para que eles possam ter uma vida digna e saudável enquanto contribuem para a criação das incríveis animações japonesas aclamadas mundialmente.
Referências
[1] The Association of Japanese Animators. Anime industry report 2021. ”https://aja.gr.jp/english/japan-anime-data, Acesso em: 15 de mar. 2023”, 2021.
[2] Eric Margolis. The dark side of japan’s anime industry. ”https://www.vox.com/culture/2019/7/2/20677237/anime-industry-japan-artistspay-labor-abuse-neon-genesis-evangelion-netflix, Acesso em: 15 de mar. 2023”,
[3] Hikari Hida. Anime is booming. so why are animators living in poverty? ”https://www.nytimes.com/2021/02/24/business/japan-anime.html, Acesso em: 15 de mar. 2023”, 2021.